Gênesis
Um Novo Começo
Quando o mundo acabar, o que vai restar?
Sinopse
Cascavel, Ceará. Uma noite de chuva sem fim e um céu que, naquele dia, não teve pôr do sol. Adam observa da janela os relâmpagos riscarem o escuro e pensa no filho dormindo no quarto ao lado, na esposa que vai chegar fria do ônibus, no casamento que ainda funciona mas já não pulsa.
Então o céu rasga. Uma bola de fogo desce devagar — luminosa, imensa, quase divina — e Adam, paralisado no jardim, chora sem entender por quê. É a primeira de muitas noites em que o mundo deixará de fazer sentido.
O que começa como um drama doméstico íntimo — o distanciamento de um casal, a cumplicidade quase fraternal entre pai e filho, o desejo proibido que nasce nos círculos errados — se transforma, gradualmente, numa jornada distópica e espiritual. As cidades entram em colapso. A civilização que o homem construiu ao se afastar do Éden começa a ser cobrada. E Adam, junto à cunhada Ishá e ao filho Erick, precisa encontrar abrigo, alimento e fé num mundo que apagou sua última luz.
Gênesis: Um Novo Começo é uma travessia. Do amor que cansa ao amor que resiste. Da dúvida que corrói à fé que sustenta. Do fim de uma era ao primeiro dia de outra — aquela em que apenas três pessoas, uma caverna e um ser de olhos de fogo separam a humanidade do silêncio definitivo.
Dois mundos, uma travessia
O romance se move entre dois planos que não são opostos — são espelhos.
Plano doméstico
A vida que esfria
Adam e Aiyra em Cascavel: jantar em silêncio, mensagens não respondidas, o filho que dorme e é o único vínculo que ainda aquece. O distanciamento gradual de um casal que se amou e não sabe como voltar a ser quem era. Uma traição que chega devagar, como névoa — e que muda tudo.
Plano distópico-espiritual
O fim que transforma
O colapso da civilização como consequência bíblica da arrogância humana. Um ser de olhos de fogo que guia, protege e testa. Coelhos que aparecem sem armadilha numa caverna gelada. A última brasa se apagando — e a fé sendo o único combustível que não acaba.
Trechos da obra
A luz que emanava dela era indescritível. Intensa, viva, divina. Clareava tudo — o chão, o jardim, os telhados ao longe. Por um momento, a noite virou dia. Cada folha do jasmim parecia vibrar em silêncio sob aquela revelação. Adam quis correr, gritar, sumir dali. Um medo intenso tomou conta de seu corpo. Mas não conseguiu se mover. Estava paralisado — não por fraqueza, mas por algo mais profundo: o espanto absoluto diante do desconhecido.
Fé é caminhar na escuridão total. É confiar quando os olhos não enxergam, quando o corpo duvida, quando a alma se curva. Eu acredito, Ishá. Acredito com todo o meu ser. E se tudo escurecer… então esperaremos. Porque não estamos sós. Nunca estivemos.
Há um instante, sempre silencioso, em que a noite começa a ceder. Quando a primeira luz do dia toca o mundo, ela não apenas dissipa as sombras do lado de fora — ela nos alcança por dentro, atravessando a névoa dos medos que cultivamos em silêncio.
Personagens
Adam Ribeiro
Protagonista · 35 anos
Reflexivo, protetor, espiritualmente inquieto. Carrega uma fé firme, não dogmática, e um amor quase fraternal pelo filho Erick. Vive o dilema entre o casamento que esfria e a necessidade de acreditar num propósito maior — mesmo quando o chão cede sob seus pés.
"Fé é caminhar no escuro, acreditando no que não se vê."
Aiyra Diógenes
A esposa · 34 anos
Ambígua, impulsiva, distante emocionalmente. Ama o filho com intensidade, mas vive em busca de algo que nem ela compreende. Representa, na narrativa, a humanidade que se afastou — que ainda ama, mas perdeu o fio de volta.
"Nem sempre o amor salva… às vezes, só ilude."
Erick
O filho · 10 anos
O vínculo mais puro da narrativa. Adam e Erick compartilham uma cumplicidade quase fraternal — o menino foi gerado na esperança e cresce como âncora do pai. Na jornada final, dorme no peito de Adam dentro de uma caverna enquanto o mundo se apaga lá fora.
Ishá Diógenes
A cunhada · 32 anos
Sensível, resiliente, com uma força silenciosa que se revela apenas na maior dor. Sobrevivente de um relacionamento abusivo, carrega uma fé que nasceu da ferida — não da doutrina. É ela quem, na caverna, sussurra as duas palavras que fecham o livro.
"A dor ensina o que o amor tenta suavizar."
Admir Castro
O antagonista · 33 anos
Extrovertido, persuasivo, sedutor e manipulador. Ama a família à sua maneira, mas suas escolhas custam caro. Sua história ecoa a do pai que o abandonou — e o aprendizado chega tarde, como sempre chegam as verdades que mais importam.
"A vida é curta. Precisamos viver com intensidade como se o hoje fosse o último dia."
Estrutura da obra
- ⟳ Prólogo
- I Noite sem pôr-do-sol
- II Fragmentos de uma
- III E a luz foi se apagando
- IV O silencioso chamado
- V O inverno das almas
- VI O chamado
- VII O corte final
- ✦ Epílogo — "Eu acredito."
A dimensão bíblica
O título não é metáfora — é programa. Gênesis usa a queda do Éden como lente para compreender o colapso moderno: assim como Adão e Eva perderam a conexão com a criação ao buscar o conhecimento sem sabedoria, a humanidade do romance perdeu o cheiro da terra molhada, o som do vento, a capacidade de estar presente — e paga por isso.
Quando o céu rasga e o mundo começa a desmoronar, não é punição: é consequência. E o que resta — Adam, Ishá, Erick numa caverna — ecoa deliberadamente o mito fundador. Três seres, protegidos por um guardião de olhos de fogo, esperando em fé que o sol volte a brilhar sobre a terra.
É uma história sobre o fim — mas sobretudo sobre começos.
Prólogo do autor
Esta é uma história sobre o fim — mas também sobre começos. Sobre fé, mesmo quando não há sinais. Sobre perder tudo e, ainda assim, encontrar o que realmente importa. É uma travessia entre o que fomos e o que precisamos ser. Um caminho feito de silêncio, dor, beleza e redenção. E no final, quando a noite se retira por completo e a luz nos abraça, entendemos: a vida é um milagre. E cada recomeço, um ato de fé.
Para você que vai ler
Gênesis é para quem gosta de histórias que começam numa cozinha às dez da noite e terminam numa caverna no fim do mundo. Para quem acredita — ou quer acreditar — que existe algo maior guardando as pessoas que escolhem a fé mesmo quando o fogo apaga.
É para quem perdeu algo que amava e precisou recomeçar com o que sobrou. Para quem já se sentiu como Adam: presente no corpo, ausente na alma, esperando um clarão no céu que justifique continuar.
E é um livro sobre paternidade — sobre o amor pai-filho que, nesta obra, é o único amor que não esfria, não trai, não se perde nem no fim do mundo.