Rosas
& Espinhos
O diário secreto de uma alma apaixonada.
Sinopse
Campos do Jordão. Manhãs frias, chaleira no fogão, vista para as montanhas. Camille e Henrique levam uma vida que, de fora, parece completa. Mas a distância entre dois corpos no mesmo sofá pode ser maior do que um oceano — e Camille sente isso todos os dias, sem conseguir nomear de onde vem esse vazio.
Quando a irmã Laura e seu marido Fernando começam a frequentar a casa, algo muda. Fernando tem uma atenção diferente — a do tipo que enxerga, que pergunta, que espera a resposta. E Camille, que carregava sozinha a dor de um aborto que Henrique nunca soube processar, se descobre dividida entre o amor pelo marido e um desejo que não pediu licença para existir.
Laura, por sua vez, guarda um trauma que nunca contou a ninguém — uma noite de festa que sua memória enterrou, mas que ainda interfere em cada tentativa de intimidade com Fernando. Um muro invisível entre os dois que só ela conhece, e que a impede de ver o que está se formando bem diante de seus olhos.
Rosas e Espinhos narra em cinco partes — cada uma com o nome de uma flor — o mapa emocional de três pessoas que amam demais e sofrem em silêncio. Um romance sobre o que destruímos por não saber pedir ajuda, sobre o que sobrevive ao maior dos erros, e sobre o perdão que não precisamos merecer para receber.
Trecho da obra
Havia uma distância ali, algo que ela não conseguia definir, mas que parecia estar presente há algum tempo. O casamento deles sempre fora estável, sem grandes desentendimentos. Mas, ultimamente, algo dentro dela parecia estar mudando. Ela não conseguia encontrar a mesma paz em sua rotina diária.
O caminho para a paz começa com a verdade. Reze, e ouça seu coração. A resposta está lá, mesmo que você ainda não a tenha reconhecido.
Nada resiste ao tempo,
exceto aquilo que floresce dentro da alma.
As cinco flores do romance
Cada parte do livro carrega o nome de uma flor — uma escolha que não é decorativa. Cada flor representa o estado emocional dominante daquele trecho da narrativa, como pétalas de uma jornada que vai do desejo à destruição e, afinal, ao recomeço.
Parte I
Rosas Vermelhas
O desejo que nasce — involuntário, silencioso, culpado. Camille conhece a si mesma numa tarde de jantar em família.
Parte II
Acácias
A amizade proibida que cresce. Entre encontros casuais e conversas que duram demais, a linha que não deveria ser cruzada começa a se apagar.
Parte III
Bougainville
A tempestade. Os segredos chegam ao limite. O que cada um guardou por meses não cabe mais dentro do peito.
Parte IV
Coroa de Cristo
A dor necessária. O luto, o afastamento, as escolhas que não têm resposta certa. Cada personagem enfrenta sozinho o que não sabe dividir.
Epílogo
Flor-de-Lis
O reencontro. As irmãs se abraçam no aeroporto. Um bebê chama Fernando. E Camille queima sozinha um envelope que ninguém mais lerá.
Personagens
Camille
Protagonista
Delicada, atenta, cheia de silêncios que falam. Vive num casamento que foi feliz e agora apenas funciona. Carrega a dor de um aborto que nunca foi luto porque precisava ser força — e se descobre apaixonada pelo homem que menos deveria.
Henrique
O marido
Bom homem, presente no essencial, ausente no sutil. Seu amor por Camille é real, mas ele aprendeu a expressar o amor através do que provê — e nunca aprendeu a estar de verdade. O distanciamento dele não é crueldade: é uma limitação que ele mesmo não vê.
Fernando
O cunhado
Calmo, observador, com a rara habilidade de realmente ouvir. Casado com Laura, é presença constante na vida de Camille — e sem querer, sem pedir, se torna o espelho que revela a ela o que está faltando em tudo o mais.
Laura
A irmã
Aparentemente a mulher que tem tudo sob controle. Por dentro, guarda um trauma de uma noite que não consegue lembrar inteira — e que a impede de se conectar com Fernando. O distanciamento que ele sente tem um nome que ela nunca pronunciou.
Padre Gabriel
O confidente
Figura austera e acolhedora. É ao padre que Camille recorre quando a confusão vira demais. Suas respostas não são fáceis — são honestas. E a honestidade, neste livro, nunca é confortável.
Nota do autor
Este livro nasceu das minhas próprias cicatrizes e dos silêncios que carregamos quando o amor nos atravessa. Escrevê-lo foi um caminho de dor e de cura, mas sobretudo de esperança. Agradeço a você, leitor, por caminhar comigo entre rosas e espinhos, e por permitir que minhas palavras ecoassem em sua alma. Que, ao fechar estas páginas, reste em você a certeza de que o amor — frágil e eterno — é sempre o que nos mantém vivos.
Para você que vai ler
Este é um livro para quem já amou alguém que não deveria — e nunca contou a ninguém. Para quem esteve num casamento que funcionava por fora enquanto por dentro havia um vazio que não sabia como nomear.
Robério Diógenes não julga seus personagens. Camille não é vilã. Fernando não é o herói. Laura não é vítima. São três pessoas reais, com medos reais, tentando sobreviver ao que o amor faz com a gente quando a gente não sabe pedir ajuda.
O final de Rosas e Espinhos não responde à pergunta mais importante que o livro faz — e é exatamente isso que torna a última página tão difícil de virar.