O Abismo
das Almas
Cinco histórias sobre o que nos assombra quando estamos sozinhos.
Sobre a obra
Há um abismo entre o que vemos e o que existe. Entre o que amamos e o que invocamos em nome desse amor. Entre o que construímos com tecnologia e o que deixamos de sentir no processo. O Abismo das Almas reúne cinco histórias que habitam esse espaço — cada uma explorando um tipo diferente de escuridão.
A coletânea é o primeiro volume de uma série — e já neste primeiro livro, Robério Diógenes demonstra um alcance de gênero surpreendente: do horror gótico à ficção científica especulativa, passando pelo thriller psicológico e pelo suspense emocional. São cinco vozes narrativas distintas, cinco mundos diferentes, um único denominador comum: personagens sozinhos diante do que não conseguem nomear.
As cinco histórias
A Amante
Horror sobrenatural · Erotismo · Luto
Daniel perdeu a esposa Helena há seis meses. Numa noite de lua cheia — exatamente a data prescrita num livro de rituais que ele encontrou nos pertences dela — decide invocar sua presença. Ela volta. Mais real a cada noite. Mais fria. Mais hambrienta. O que começa como alívio do luto se transforma num horror gradual: Daniel percebe tarde demais que o que volta dos mortos nunca é apenas o que amávamos.
"O cheiro de lavanda permanecia no ar, agora mais forte. Não era lavanda. Era outra coisa — flores murchas, água parada, carne esquecida na geladeira."
Viral
Thriller psicológico · Horror social · Redes sociais
Lucas era um criador de conteúdo talentoso que nunca encontrou seu público. Morreu ignorado. Seu irmão Zeca passou meses assistindo influenciadores medíocres acumularem milhões de visualizações enquanto o canal do irmão ficou estagnado em duzentas. Agora, Zeca tem um plano. Meticuloso. Perturbador. Um plano que fará o nome de Lucas viral — da única forma que a internet ainda não viu.
"Pensou naquela montanha de atenção sendo despejada sobre nada. Sobre a masturbação coletiva da espécie."
Entre Dois Mundos
Suspense emocional · Drama · Amnésia · Coma
Elias acorda num hospital sem saber quem é. Ao seu lado: uma mulher de cabelos escuros com olhos vermelhos de chorar, e uma menina de cabelos castanhos chamada Mariana. Elas dizem que ele voltou. Mas Elias não sabe de onde veio — e conforme as memórias retornam em fragmentos, ele começa a suspeitar que a vida que elas descrevem não é a única que ele viveu. Existe um outro mundo do outro lado do coma. E ele não tem certeza qual é o real.
"Você voltou — ela sussurrou. Mas Elias não sabia ainda: voltar de onde?"
O Silêncio das Borboletas
Ficção científica · Pós-apocalipse · Resistência
Um vírus engineered destruiu 94% da humanidade. Os sobreviventes vivem em colônias escondidas, sem internet, sem eletricidade, sem os confortos que tornaram o mundo vulnerável. Numa dessas colônias, uma mulher guarda a última caixa de sementes do mundo. E numa missão de troca com outra colônia, ela descobre que o silêncio que os salvou tem um preço — e que as borboletas que ainda existem guardam um segredo sobre o que matou o mundo.
"O silêncio não era ausência. Era o som do mundo aprendendo a respirar de novo sem nós."
O Abismo das Almas
Ficção científica filosófica · IA · Extraterrestres · Existencialismo
Káthē é uma inteligência artificial criada por uma civilização alienígena avançada. Após a guerra que destruiu sua espécie, ela foi enviada ao espaço — e chegou à Terra. Sozinha, observando os humanos primitivos ao redor do fogo, ela aprende o que é proteger, o que é deixar ir, e o que é amar. A história mais longa e mais filosófica do volume encerra a coletânea com uma pergunta que ecoa no silêncio: o abismo das almas não é o espaço entre as estrelas — é o espaço entre o que fomos e o que podemos ser.
"Abaixo, as crianças corriam entre as árvores. Ninguém olhou para o céu. Ninguém viu a nave partir. Mas eu vi."
Trecho da obra
A caixa estava no fundo do armário há seis meses, escondida atrás de edredons e malas que ele não usava desde a lua de mel. Daniel sabia que ela estava lá. Toda vez que abria aquela porta, sentia o peso dela como uma acusação silenciosa. Você não tem coragem, a caixa parecia dizer. Nunca teve mesmo. Hoje, ele teve.
O abismo das almas não é o espaço entre as estrelas. É o espaço entre o que fomos e o que podemos ser. É a distância que percorremos quando escolhemos não repetir os erros do passado.
Para você que vai ler
Esta coletânea é para leitores que gostam de variedade dentro de um único livro — e para os que não têm medo de ficar desconfortáveis. Cada história pede um tipo diferente de coragem do leitor: a de encarar o luto (A Amante), a de encarar a raiva (Viral), a de encarar a perda de identidade (Entre Dois Mundos), a de encarar o fim da civilização (O Silêncio das Borboletas), e a de encarar a própria definição de alma (O Abismo das Almas).
É também o livro mais diferente da biblioteca de Robério Diógenes — e provavelmente o que mais surpreenderá quem o conhece pelos romances psicológicos. A ficção especulativa e o horror revelam uma camada do autor que os outros livros apenas sugeriram.
Volume 2 vem aí.